RPER N.º 31

Mapeamento do Empreendedorismo do Poder Local em Portugal

Resumo:

Sendo o empreendedorismo político um tema que tem merecido elevado destaque na literatura, a evidência empírica nesta área tem sido escassa, em grande parte devido a limitações ao nível da operacionalização do conceito. Neste artigo, operacionalizamos o empreendedorismo político (local) considerando três dimensões principais: 1) Captação de fundos; 2) Posse e/ou construção de infraestruturas para apoiar as atividades empresariais e sociais; e 3) Atividades de apoio e serviços necessários às atividades empresariais e sociais. Baseados em informação recolhida junto de 108 municípios portugueses, quantificamos o empreendedorismo político global nas três dimensões referidas, obtendo um ranking dos municípios e das regiões NUTS III correspondentes. Adicionalmente, através da estimação de especificações econométricas, concluímos que o empreendedorismo político local tem um impacto positivo e significativo, mas indireto, via capital humano da população empregada, na criação de novos negócios, designadamente os intensivos em conhecimento. Por outras palavras, o impacto das ações empreendedoras das autoridades de política local é tanto mais elevado quanto maior for a percentagem da população empregada com ensino superior na região. Nesta base, não basta que o poder local seja “empreendedor”; complementarmente às ações públicas de captação de fundos, construção de infraestruturas e promoção de atividades para dinamização empresarial, é necessário garantir que a região é dotada de um nível de capacidade de absorção – capital humano e investimento em atividades de I&D – adequado.

Palavras-chave: Empreendedorismo Político; Municípios; Portugal.

Códigos JEL: M13, H70, H72



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