Titulo:

O Conceito de Distrito Agrícola e sua adequação aos problemas de desenvolvimento Regional em Portugal: O caso do Alto Douro Vinhateiro
Tema: Ruralidades e Território
Data: 5ª, 17h30-19h15
Autor: Tiago Carrilho ; Marc Jacquinet ; José Porfírio

A política de desenvolvimento regional necessita de reconhecer a diversidade de casos e adaptar o quadro conceptual. Estabelecendo a analogia com a teoria dos distritos industriais, podemos dizer que a região do Douro pode ser considerada como um «quase-distrito agrícola» uma vez que contém todos os elementos para ser considerado um Distrito Agrícola mas revela falta de capacidade para ligar em rede todos os recursos existentes e de absorver o potencial inerente a uma política regional de inovação.

A política regional em Portugal em geral e na região do Douro em particular, revela a falta de um enquadramento teórico e empírico. A formulação de políticas económicas para o desenvolvimento regional parece seguir uma trajectória de dependência de caminho (path dependence), na qual as estratégias de política apresentam mudanças lentas em relação às novas abordagens teóricas e às características das regiões marcadas por grande diversidade às escalas nacional e Europeia.

Vamos ilustrar o nosso quadro teórico-conceptual com a região do Douro, uma região atípica – em termos do debate actual sobre desenvolvimento económico centrado nas áreas urbanas e industriais – com recursos excepcionais como o vinho do Porto. Em particular para esta região, igualmente como a necessidade de uma verdadeira política regional de inovação, o estudo por nós desenvolvido sublinha a importância da dinâmica regional – sobretudo as características dos actores locais, a diversidade dos problemas nas regiões e locais, a herança histórica das regiões e a dependência de caminho das políticas regionais, frequentemente envoltas em medidas demasiado agregadas e genéricas que não permitem uma correcta apreensão dos impactos. No caso de Portugal e em particular do Douro, as políticas regionais estão quase ausentes e revelam falta de princípios claros e medidas transparentes orientadas para a mudança local. Podemos dizer que a principal questão não são mais recursos financeiros para as políticas regionais mas sim se existe a capacidade por parte dos actores locais para «absorver» os princípios e meios de política e por parte do governo para conceber uma verdadeira politica regional.